sábado, 20 de outubro de 2007

Anoiteço

Se a noite fosse só o escuro, eu juro
Me arrastaria num breu
Mas... ah, a noite é mais

Ela desencava os mortos
Enterra meus sonhos tortos
Faz da luz uma imensa treva
Deixa ver Deus até no ateu

A noite cria no silêncio um vácuo
Um nada incontável, seu apogeu

Vê que a lua, esse ser divino
De tanto cantado escureceu

Como a estrela que era brilho
E cansou de cintilar, escondeu

Tudo o que fica é uma sombra
Sobra então o ombro, só

Chora o choro, passa o tempo
Embebeda o pensamento lento

Vira um vulto vagando, vendo
Vai se desmanchando o breu

Clareia o dia, enfim
Arrasta a morte, tenta
Derruba músculos, pálpebra, ventas
Desfaz tudo o que doeu

E assim desfalece o negro
O escuro que havia arde
Ah... a noite sou eu

2 comentários:

*Carol Carolina* disse...

"E assim desfalece o negro
O escuro que havia arde
Ah... a noite sou eu"

eu gostei mto disso.

rimas adoro rimas.
beijos e beijos

.:. Maria Abobrinha de Jesus .:. disse...

Muito bom. Que essa onda de inspiração dure o suficiente para compensar a ausência.